Como sabemos que gostam de histórias, vamos contar a que une Mancini e Vialli.

Na vida há coisas ninguém escolhe, como o país onde nasce, a família, colegas de trabalho. Porém, podemos escolher algumas coisas, como os amigos que levamos para a vida, e assim é na vida dos dois protagonistas desta história.

Roberto Mancini e Gianluca Vialli conheceram-se a jogar na Sampdoria entre 1984 e 1992. Juntos, formaram uma das duplas mais temíveis da história da liga italiana de futebol.

Na altura, foram apelidados de “gémeos-golo”. A justificação era simples. Jogavam de olhos fechados, tinham um grande entendimento quer dentro e fora de campo que resulta numa amizade que perdura até aos dias de hoje e que começou no futebol italiano na década de 80/90.

Em várias entrevistas, o agora selecionador de Itália, classifica Vialli como um irmão. Todavia, a vida nunca é um mar de rosas pois em 2017 foi diagnosticado a Vialli um cancro no pâncreas, algo que os uniu ainda mais. Uma doença que Vialli viria a vencer em 2020. Por essa altura, e sem se saber ainda de uma das maiores vitórias do, também agora, elemento da seleção italiana. Mancini convidou Vialli para integrar a equipa técnica dos azzurri na qualidade de coordenador técnico e chefe da delegação.

O passado de Gianluca

Disse adeus os bancos em 2002. Como treinador passou pelo Chelsea entre 1998 e 200, rumando seguidamente para os comandos do Watford. Depois deu-se o afastamento e abraçou a pacatez da chamada vida após o futebol para passado alguns anos, surgir a oportunidade de comentador futebol na Sky Sports Itália.

Seleção de Itália

Na seleção italiana, Vialli tinha à sua espera Attilio Lombardo, Alberico Evani, Fausto Salsano e Giulio Nuciari.

O que têm estes nomes todos em comum? Jogaram todos, mas mesmo todos na Sampdoria. Ou seja, toda a equipa técnica da formação italiana para estar neste EURO 2020, passou pelo mesmo clube, e todos jogaram igualmente com Roberto Mancini. Apenas Evani, que chegou em 1993, não conhecia Vialli desses tempos.

Numa qualquer instituição, uma das coisas mais importantes é reunir um conjunto de pessoas capazes, honestas e competentes para obter resultados. Mas também com uma boa componente humana. E é por isso, que se algum dia tiveres numa situação idêntica, talvez consigas conseguir os melhores resultados se tiveres pessoas que já conheces, mas claro, que isto depende do contexto em que estiveres.

Talvez seja esta a base do sucesso que a Itália teve no EURO 2020, onde jogadores que se tornaram treinadores, figuras competentes e carismáticas, e que se identificam um propósito e que criam a tal união que um qualquer grupo de trabalho pode e deve ter.

Quando olhamos agora para o banco da seleção italiana, vemos mais que um grupo de homens com fatos da Giorgi Armani. Vemos isso sim, um grupo de homens, mas também de amigos, irmãos, competentes, carismáticos e profissionais que se conhecem há mais ou menos 30 anos. Recheados de altos e baixos, tal e qual como a vida, que qualquer um de nós tem, assim o é.

É esta a Itália que venceu o EURO 2020 e que teve Mancini e Vialli na base de tudo.